Versos Portuguese Francisca Júlia Inverno

Portuguese poem

Inverno

by (1871–1920)

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Outr’ora, quanta vida e amor nestas formosas Ribas! Quão verde e fresca esta planicie, quando, Debatendo-se no ar, os passaros, em bando, O ar enchiam de sons e queixas mysteriosas!

Tudo era vida e amor. As arvores copiosas Mexiam-se, de manso, ao resfolego brando Da briza que passava em tudo derramando O perfume subtil dos cravos e das rosas...

Mas veio o inverno; e vida e amor foram-se em breve. O ar se encheu de rumor e de uivos desolados... As arvores do campo, enroupadas de neve,

Sob o látego atroz da invernía que corta, São esqueletos que, de braços levantados, Vão pedindo soccorro á primavera morta.