Portuguese poem
Laura
by Francisca Júlia (1871–1920)
Esta é a Laura, a riquissima princeza De negros olhos, elegante e bella, A cujas plantas a aulica nobreza Se roja, apenas a um sorriso della.
Rosa de extranha e sensual fragrancia, Nascida em pobre e humillimo canteiro, Em todos os certamens da Elegancia Sempre conquista o galardão primeiro.
O seu esposo é um principe normando, Louro e de face turgida e vermelha, Em cujo olhar energico se espelha A arrogancia do orgulho e aspero mando.
Ha tempos, Laura era a menina honesta, Toda aos prazeres deste mundo alheia, Que passava o viver nessa modesta Vida tediosa e simplice de aldeia.
E quanta vez, á noite, a sós comsigo, Não fez correr as lagrimas no rosto, Sem nunca achar um coração amigo Que se doesse tambem com o seu desgosto!
Mas, um dia a fortuna entrou-lhe a porta; E, olhando derredor, vendo-a sósinha, Com esse timbre de voz que a alma conforta, „Laura, disse, levanta-te e caminha!”
E conduziu-a, pela mão, ao grande Mundo do luxo pródigo e faustoso, Onde, farta e soberba, a alma se expande, Cheia do tedio mórbido do goso.
Hoje é a Laura, a riquissima princeza De negros olhos, elegante e bella, A cujas plantas a aulica nobreza Se roja, apenas a um sorriso della.