Portuguese poem
Inconsolaveis
by Francisca Júlia (1871–1920)
Almas, porque choraes, si ninguem vos responde? Almas, porque? Deixae as lagrimas! empós Do Ideal correi, correi a longes plagas, onde Não exista ninguem que escarneça de vós.
Lançae o vosso olhar a longinquas paragens, Bem distantes daqui, cheias de ideaes risonhos, Onde as aves do amor, sacudindo as plumagens, Passem cantando ao longe a musica dos sonhos...
A longes plagas onde estas miserias todas Não consigam deixar o minimo signal; Paragens onde, em meio ás delirantes bodas Dos sonhos e do amor, exulte e cante o Ideal...
Mas não, almas! soltae a vossa queixa triste; Contae ao mundo inteiro a vossa magua justa; Essa terra de Ideal, ó almas, não existe; Inventei-a sómente, e invental-a não custa.
Pobres almas, lançae em torno a vossa vista: Sempre haveis de encontrar essa miseria atroz. Almas, chorae, que embora esse paiz exista, Nelle ha de haver alguem que escarneça de vós.