Portuguese poem
Estella
by Francisca Júlia (1871–1920)
Como dormes feliz, anjo adorado, Nesse teu berço, assim... tu, cujos olhos Nunca viram miserias nem abrolhos, Mas vêm sómente o maternal cuidado.
O anjo da guarda está velando ao lado Do teu berço, a sorrir... Os teus antolhos São, por emquanto, os ondulantes folhos Do teu bercinho de ébano lavrado.
Dorme, que emquanto o cherubim de vela, Elle te envolve nessa etherea veste Que usam no céo os cherubins, Estella;
Dorme; o teu somno cheio de fulgores De certo eleva-te a um paiz celeste Todo cheio de passaros e flores.