Portuguese poem
As duas irmãs
by Francisca Júlia (1871–1920)
Vem a primeira e falla-lhe em segredo: „Amiga, vê, (nem sei como isto conte!) Como correm as aguas desta fonte: Tal corre a vida, e acaba-se tão cedo!
Ama, pois!” A segunda, em cuja fronte Brilha um raio de luz, murmura, a medo, Apontando-lhe o chão: „Este é o degredo Perpetuo e atroz do teu amor insonte.
Comtudo, espera.” E somem-se a Esperança E a Saudade. E ella fica, como douda, A olhar o rastro dessas deusas bellas...
E ella fica esperando-as... Cansa, cansa De esperal-as assim, a vida toda, Sem jamais receber noticias dellas!...