Versos Portuguese Francisco Palha _Além Da Campa_

Portuguese poem

_Além Da Campa_

by (1827–1890)

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(Imitação do hespanhol)

N'um povo, perto de Cintra, foi o rev'rendo prior em fria cova depor o cadaver d'um pelintra mesmo ao pé d'um seu crédor.

Apenas se viram juntos por toda a vida sem fim romperam n'um tal chinfrim que, dizem velhos defuntos, ser virgem um caso assim.

«Vossê pague! ai que vae torta!» gritava o crédor.--Com quê?-- gemia o outro.--Não vê que entrei nú aquella porta porque nú me poz vossê?!--

E n'este rosnar eterno, n'este diz tu direi eu, o crédor, que era judeu, enreda o outro n'um inferno como o inferno em que viveu.

Se em meu derradeiro instante eu tiver crédor voraz, permitte, ó Deus, se te apraz, que por cá fique o tratante p'ra que eu, morto, viva em paz.