Portuguese poem
Teu alto esforço, e valentia forte
by Gregório de Matos (1636–1696)
Teu alto esforço, e valentia forte Tanto a outro nenhum valor iguala, Que teve o céu cobiça de lográ-lo, Que teve inveja de vencê-la a morte.
O céu veio a lográ-la, mas por sorte, Que por poder não pôde conquistá-la; A morte por haver de contrastá-la Vigor de lei tomou, e deu-lhe o corte.
Prêmios, que mereceste, e nunca viste, Todos com teu valor os desprezaste, E com os merecer lhe resististe.
O cargo, que na vida não lograste, Esse o mofino é, órfão, e triste, Pois te não falta a ti, tu lhe faltaste.