Versos Portuguese Gregório de Matos Um benemérito peito

Portuguese poem

Um benemérito peito

by (1636–1696)

Listen in the reader

Um benemérito peito, uma Sacra Dignidade sentir vem na soledade da parca o cruel efeito: que de um golpe sem respeito quis cortar o vital fio, sem atender Senhorio, nem ver, o despojo horrendo, de quem se agravara, vendo desautorizado o brio.

Já de todo o mal distando em Belém busca o retiro, onde um, e outro suspiro a pena estão aumentando: e no pesar contemplando jamais será divertido, vendo de todo perdido por culpa de um traidor vil aquele Adônis gentil a cadáver reduzido

Se a lei se deve observar, como agora falta, e tarda? a Justiça apenas guarda, que agradou por aguardar: privou por se depravar pela via nunca usada, deu ao vício franca entrada, e bem se pode entender, que enquanto vivo há de ser privado pela privada.

Mas que muito haja amparado um Calígula tirano a seu amigo inumano Capitão de cama, e lado? o vulgo tem murmurado, e a maldade não se doma, e a sem-razão, que se assoma, como demais já sobeja contra um Ministro da Igreja um nefando de Sodoma.