Portuguese poem
A A. Do Quental
by João de Deus
Tal é a confiança que te inspira Estes reis, estes povos, esta gente, Que é para o céo que appella e se retira Tua alma já de triste e descontente.
Mas Deus então seria ou impotente Ou seria um Deus barbaro: mentira! Não póde suspirar eternamente Quem ha já tantos seculos suspira.
Vai ganhando terreno a luz brilhante, Luz toda liberdade e toda amor Que ha-de salvar o mundo agonisante.
A idéa, esse Verbo creador Ha-de fazer que um dia e não distante Só o nome de imperio inspire horror.
Messines.
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Meu casto lirio, Terno delirio, Gloria e martyrio Do meu amor! Amo-te como A haste o gomo, O labio o pomo E o olho a flôr.
Se ao meu ouvido Sôa um rugido Do teu vestido, Que ouço roçar; Que som me vibra Não sei que fibra Que me equilibra A mim no ar!
E que harpa santa É que me encanta E enche de tanta Consolação, Quando uma falla Terna se exhala D'onde se embala Teu coração!
Quando te vejo D'um simples beijo Córar de pejo, Mudar de côr, Que susto é esse Que me parece Te empallidece, Rosa d'amor!
Quando no leito, Teu niveo peito Sonho que estreito E aperto ao meu; Vendo tão perto O céo aberto, Porque desperto... Anjo do céo!
Não fujas, rosa! Não fujas, goza Manhã mimosa, Manhã d'amor; De folha em folha A flôr se esfolha Bem cedo, e olha Que és como a flôr!
Coimbra.
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