Versos Portuguese Adélia Josefina de Castro Fonseca À Angelina

Portuguese poem

À Angelina

by (1827–1920)

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Não foi, querida Angelina, A formosura divina, Tão mimosa e peregrina, Que em tua face se ostenta, Que fez nascer no meu peito O sentimento perfeito, Pelo Senhor tão acceito, Que cadavez mais se augmenta.

Não é por seres donosa, Qual purpurea e linda rosa, Que abre fragrante e viçosa D’aurora ao desabrochar,

Que meu coração te jura Perenne, intensa ternura, Tão meiga sempre e tão pura Como o teu languido olhar.

Foi, sim, tu’alma sublime, Que abomina o feio crime, Que a miseria não opprime Com desdenhoso rigor; Foi ella, morada pia, Onde a virtude irradia, Que, com tanta idolatria, Grangeou meu terno amor.

Mas, meu anjo idolatrado, 'N este amor tão elevado, Talvez me tenha enganado, Por não conhecer de feito, Si amavel e primorosa És por seres virtuosa, Ou si a virtude é formosa Por existir no teu peito.