Portuguese poem
A despedida
by Adélia Josefina de Castro Fonseca (1827–1920)
Tu, Elisa, te vais e me deixas, E me deixas profunda saudade; Sem querer, despedaças o peito, Que te vóta a mais santa amisade.
Quando penso que vais, minha Elisa, Habitar tão distante de mim, Eu pergunto ao meu Deos: «Que te hei feito «Para iroso punires-me assim?
«Tu, Senhor, qu’és tão bom, porque roubas «O consôlo de minha existencia? «Porque fazes que misera eu soffra «O terrivel martyrio da ausencia?
«Não me leves a amiga sincera, «Que me tem extremosa affeição; «Esta amiga, que irmã considero, «Bem querida, do meu coração.
«Ah! consente, Senhor, que ella fique, »E que viva p’ra sempre a meu lado; «Que de perto eu adore as virtudes «De que tens a su’alma adornado.
Eis, Elisa adorada, as palavras, Que dirijo incessante ao Senhor, Tendo o rôsto de pranto inundado, Tendo o peito partido de dor.
Mas ainda me anima a esperança De que Deus minha prece ouvirá, E das lagrimas tristes que verte Meu amor, piedade terá.
E si a minha oração fervorosa Pelo Eterno não fôr attendida; Si, apezar d'imploral-o, chorando, Ordenar tua dura partida;
Eu te juro que sempre hei de amar-te Co'a mais terna e profunda affeição; Eu te juro, fiel, tua imagem Guardar sempre no meu coração.