Versos Portuguese Vicente de Carvalho Desilludida

Portuguese poem

Desilludida

by (1866–1924)

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Sou como a corça ferida Que vai, sedenta e arquejante, Gastando uns restos de vida Em busca da agua distante.

Bem sei que já me não ama, E sigo amorosa e afflicta, Essa voz que não me chama, Esse olhar que não me fita.

Bem reconheço a loucura Deste amor abandonado Que se abre em flor, e procura Viver de um sonho acabado;

E é como a corça ferida Que vai, sedenta e arquejante, Gastando uns restos de vida Em busca da agua distante:

Só, perdido no deserto, Segue empós do seu carinho; Vai-se arrastando ...e vai certo Que morre pelo caminho.